13 de jun. de 2020

O Olho de Hórus – Philae O Princípio Feminino - 3


Ali, os medos eram superados pela compreensão de que nada há a temer, que a morte é apenas um passo para a outra vida. Aprendia-se que o medo apenas desperdiça energia vital necessária para que se atinja a paz interior. Há templos como o de Philae, dedicados a divindades femininas, iam os iniciados nos primeiros níveis para serem guiados pelas sacerdotisas do templo, de forma a tomar consciência dos desejos gerados por seu instinto de atração. O desejo permite ao homem reconhecer uma necessidade ou uma atração. Produzem uma reação de agrado ou de rejeição nos centros emocionais que, por sua vez, conectam os sentimentos na mente. Mas tais sentimentos são polarizados.
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Podem ser de alegria ou tristeza, podem produzir satisfação ou insatisfação, por isso é tão importante compreender como são formados para podermos então controlar os de características negativas. Os sentimentos negativos geram apatia, esgotam a energia vital e escravizam o homem as baixas freqüências de vibração. Os egípcios acreditavam que o caminho evolutivo começa com o controle dos centros inferiores, quando essas condutas automáticas se tornam conscientes. A forma egípcia para transcender as emoções a lascívia e os desejos sexuais, era reconhecê-los e experimentá-los. Uma pessoa inexperiente e ingênua se descontrola facilmente, é vulnerável a situações que desconhece e pode facilmente cair em depressão. Por isso, a primeira parte de treinamento dos sacerdotes, homens ou mulheres, os levava a reconhecer seus desejos.
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Aprendiam que ao ativar os centros inferiores e os sentimentos através do amor e da compreensão, o resultado para a mente é sempre de paz, harmonia e felicidade. O templo era considerado pelos sacerdotes como um modelo do mundo no momento inicial da criação. Nesse momento, Deus manifestou o universo emergindo um pequeno monte de terra das águas do caos, de forma similar ao que acontecia quando as águas transbordadas do Nilo, se retiravam todos os anos, permitindo que o Deus criador aparecesse, trazendo vida nova ao país. O acesso através de uma escadaria externa fazia com que o santuário se transformasse no montículo da criação, onde Isis, a divindade desse templo, se manifestava dentro da estátua que a personificava. Ao subir ao seu interior chegasse a um pequeno pátio cercado por colunas, localizado no centro do chamado Salão da Vida, um salão suspenso com elevadas colunas. Esse salão suspenso em frente aos espaços interiores do templo representa o pântano no montículo original da criação, onde crescem as plantas e papiros simbolizados pelas colunas do templo. O espaço aberto central servia as vezes de capela onde as figuras simbólicas eram expostas a luz solar para renovar a energia, num ritual antiguíssimo. Aqui era homenageada a bondade do sol por criar e sustentar o mundo, para renovar de energia as forças criadoras, as que impulsionam o processo evolutivo na consciência do homem, que devolverá a matéria a Deus.
Os muros desse espaço foram talhados para mostrar como o universo era entendido. Vemos também outras talhas de numerosas cruzes cópticas, marca da nova filosofia que chegou ao Egito, quando Philae se transformou numa igreja católica. Uma nova forma de ver o mundo, que não apenas tirou o sentido da visão tradicional egípcia, mas que também a considerou aberrante e primitiva. O Salão da Vida, ou Per Ankh, servia como um escritório onde eram escritos, copiados, editados e armazenados os textos sagrados. Ali eram feitas, em papiros, as ilustrações mestras que deviam ser talhadas nos muros do templo. Nos salões da vida de todos os templos egípcios, também eram feitas os papiros com as copias dos livros dos mortos, utilizadas em seus ritos funerários. A Casa da Vida era o centro de ensinamento do templo. Teologia, arte, ritualismo, magia, astronomia e medicina eram aqui ensinados. A biblioteca, com os textos armazenados, serviu como modelo para a biblioteca de Alexandria. Neste salão, as sacerdotisas tocavam harpa, eram entoados os cânticos e feitas as musicas que acompanhavam todos os ritos religiosos. Os egípcios acreditavam que a musica tinha uma origem divina. Os muros dos templos nos mostram que eles usavam muitos instrumentos de percussão, tambores, flautas, e os cistros, que eram fundamentais nos ritos funerários e nas procissões.
As danças, as musicas e os cantos, estimulavam o Criador para que a fertilidade não fraquejasse, evitando assim que o cosmos retornasse ao caos. As sacerdotisas também cuidavam dos doentes que chegavam ao sanatório do templo em busca de ajuda e do conhecimento dos sacerdotes. A musica era usada como instrumento de cura espiritual e material, e as notas musicais eram usadas como medida entre a Terra e os planetas. Ao dançar, adorava-se a Deus, a força do amor, a felicidade, ao baile e a musica. Em seguida tem-se acesso ao Salão das Aparições, que neste caso não é suspenso, com o tradicional salão aberto para o exterior, para receber as oferendas do povo. Seus muros contêm cenas, que como em todos os templos do Egito, não tem nenhum fundo.
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A interação do faraó com as divindades acontece fora do tempo e do espaço. O templo era o cenário onde se representavam os diferentes rituais de forma dinâmica, em meio do som musical das vozes e instrumentos, o recitar das palavras dos ritos, o cheiro de incenso em louvor a divindade para conseguir seu apoio na continuação do universo organizado. Havia liturgias diárias e uma serie de festividades cíclicas, onde as figuras simbólicas recriavam os mitos em cerimônia no espaço sagrado no templo, e procissões em barcas sagradas pelo Nilo, em direção a outros templos. As diversas partes que formavam o templo eram, acima de tudo, funcionais e demonstravam a forma como os sacerdotes egípcios entendiam o universo. Ali, o rito lhes dava o poder, legitimando a ordem social de sua civilização. O rito gerava e organizava essa ordem social. Depois, chega-se a Câmara das Oferendas. Do seu lado esquerdo ficava o salão da barca de ouro, usada para levar a imagem sagrada nas procissões e festividades. Saía da antecâmara uma comprida escada reta que levava ao terraço do templo, onde se realizavam as cerimônias e os registros do céu, assim como nos outros templos do Egito.
Talhados nas pareces dessa antecâmara, vê-se o faraó Ptolomeu fazendo oferendas a Isis. Tais paredes, douradas em outros tempos, pois eram forradas com lâminas de ouro, perderam quase toda cor original. No ponto central do templo estava o santuário de Isis, que continha em seu interior um altar de granito com a imagem de ouro da divindade. Era a estatua do culto, que era levada na barca de ouro, durante as procissões e rituais. Isis, a virgem mãe egípcia que concebe Horus de forma imaculada, tem sobre a cabeça um trono, uma cadeira simbólica sobre o chákra da coroa, onde se sentará a consciência permanente de todo homem, e que reinará para sempre. Isis é a tradução grega do nome egípcio Asset, que significa “trono da consciência”. É muitas vezes representada com um abutre sobre a cabeça, no qual se apóiam uns chifres de vaca sustentando um disco dourado. O abutre dedica-se tão somente as suas crias. Transforma em seu interior as substancias em decomposição, transformando-as em alimento, em nova vida.
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A vaca, que transforma a vegetação em alimento para o homem, era para os egípcios o símbolo do principio nutritivo. Seus chifres tem a forma da lua crescente, mãe dos ciclos, que sustenta o disco solar, fonte da vida e fonte da consciência. Esse santuário simbolizava o respeito que os egípcios tinham pela maternidade. Um respeito baseado na busca da ordem e do equilíbrio. Legitimava sua visão do mundo. Esse era o coração do espaço dos rituais, a casa da divindade onde o faraó, ou os mais altos sacerdotes, interagiam com a divindade, representando todos os homens. As imagens talhadas da divindade permitem que tornem a viver na mente de todos que a observam, fazendo com que participem simbolicamente de seus rituais, e compartilhem suas oferendas. Esta é a herança que os antigos egípcios deixaram a consciência de toda a humanidade. A visão de um universo dual, um lugar onde se experimenta os contrastes polares, para que se entenda a neutralidade. Uma escola desenhada por Deus, de forma perfeita, para transformar por sucessivas reencarnações, um inocente em sábio, um animal em super-homem, graças a experiência adquirida a partir de suas próprias decisões.
Fonte: Documentário, em vídeo, "O Olho de Horus" - INFINITO (Ano de 2000). Compilação e adaptação do texto e imagens, Renato , gestor de conteúdo do Portal O Arquivo. Colaboração Walmor Lange.






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