5 de jan. de 2020

ECO-FEMINISMO

Ecofeminismo: você sabe o que é? 


Ecofeminism: Do You Know What It Is?







O modelo ocidental foi construído sobre a ideia do domínio do homem sobre as mulheres, e também do homem sobre a natureza. O ecofeminismo vê a necessidade de mudanças culturais a partir dessa perspectiva.





O ecofeminismo é uma filosofia e prática feminista que nasce da proximidade das mulheres e da natureza. Também da convicção de que nosso sistema “foi constituído, construído e se mantém através da subordinação das mulheres, da colonização dos povos ‘estrangeiros’ e da natureza“.


Essa perspectiva é responsável por questionar aspectos básicos pelos quais a nossa sociedade é governada. Assim, o ecofeminismo acredita que o capitalismo e o patriarcado andam de mãos dadas. Ambos oprimem, por um lado, mulheres; e, por outro, à natureza.
Em outras palavras, o ecofeminismo se concentra em visibilizar que a subordinação das mulheres aos homens e a exploração da natureza se complementam. Isto é, de alguma maneira, do que se encarrega o capitalismo patriarcal.

Um mundo dividido em dois.

“O pensamento patriarcal estrutura o mundo em uma série de dualismos ou pares de opostos que separam e dividem a realidade. Cada par de opostos, nos quais a relação é hierárquica e o termo normativo exige universalidade, é chamado dicotomia. Cultura ou natureza, mente ou corpo, razão ou emoção, conhecimento científico ou conhecimento tradicional, independência ou dependência, homem ou mulher. Entendidos como pares de opostos de valor desigual, organizam nossa maneira de entender o mundo”.
-Marta Pascual e Yayo Herrero, 2010-



O modelo ocidental – ou boa parte dele – foi construído sobre a ideia de domínio do homem sobre as mulheres. Também do homem sobre a natureza. Essa divisão também é algo que nasce antes da etapa da modernidade. No entanto, é a partir desta fase que se instala.

Desigualdade de gênero

As dicotomias estabelecidas apresentam um caráter hierárquico. Dentro de cada par de opostos, uma das posições é percebida como hierarquicamente superior à outra. A cultura supera a natureza, a mente é superior ao corpo e a razão está acima das emoções.
Finalmente, o termo considerado superior se torna universal e se torna a representação do todo. O outro termo do par, o inferior, é marcado pela ausência, tornando-se invisível.
O pensamento feminista alerta sobre como esses pares se associam. Por um lado, temos o homem, a quem são atribuídos valores como cultura, mente e razão. Por outro, a mulher, percebida como essencialmente ligada à natureza e ao corpo. Também é vista como “sujeita” a suas próprias emoções (Amorós, 1991).

As origens.

O vínculo teórico entre ecologismo e feminismo está na década de 70. Na publicação do livro Feminismo ou a Morte, de Françoise D’Eaubourne, o termo aparece pela primeira vez.
Durante a mesma década, ocorreram algumas manifestações de mulheres em defesa da vida. Um dos mais emblemáticos foi o movimento Chipko. Nele, um grupo de mulheres se abraçava às árvores das florestas de Garhwal, nos Himalaias indianos. Assim, conseguiram defendê-las das práticas florestais de uma empresa privada.
Uma década depois, na Argentina, um grupo de 14 mulheres cujos filhos haviam desaparecido se reuniu. Chamadas de Mães da Praça de Maio, elas representavam um ritual semanal de resistência baseado no papel que a ideologia patriarcal havia atribuído às mulheres.
O primeiro ecofeminismo foi apresentado em meados do século passado. As primeiras ecofeministas denunciaram os efeitos da tecnociência na saúde da mulher. Também enfrentaram o militarismo, a nuclearização e a degeneração ambiental.



Interpretavam esses fatos como manifestações de uma cultura sexista. Uma das figuras que representam esse movimento é Petra Kelly.





Existem também outros ecofeminismos que consideram a divisão sexual do trabalho e a distribuição de poder e propriedade, o que sujeitou as mulheres e o ambiente natural do qual todos fazemos parte.

“Desafiar o atual patriarcado é um ato de lealdade para com as futuras gerações e a vida, e para com o próprio planeta”.
-I. King, 1983-
Conviver com a natureza em harmonia
O ecofeminismo é constituído como uma corrente de pensamento e um movimento social que explora os encontros e sinergias entre a ecologia e o feminismo.
Segundo Yayo Herrero, essa disciplina se concentra em abordar o problema das relações entre as pessoas e a natureza a partir de visões muito diferentes. É por isso que podemos falar sobre ecofeminismos.
Mesmo sendo muitos, todos os ecofeminismos parecem desenvolver uma crítica ao modelo social, econômico e cultural. Todos propõem uma realidade diferente. A ideia dos ecofeminismos é tornar visíveis elementos, práticas e assuntos designados pelo pensamento hegemônico como inferiores.
Para simplificar, pode-se falar de duas correntes do ecofeminismo: ecofeminismos espiritualistas e ecofeminismos construtivistas.
  • Os ecofeminismos espiritualistas identificam um vínculo essencial e natural entre as mulheres e a natureza.
  • Os ecofeminismos construtivistas se fundamentam na crença de que a estreita relação entre mulheres e natureza é uma construção social.
Assim, o ecofeminismo deixa claro que é necessária uma mudança cultural. Nesta perspectiva, temos a responsabilidade de mudar a direção do mundo rumo a um caminho social e ecologicamente sustentável.

Pesquisa

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